terça-feira, 6 de novembro de 2007

Comentarios sobre a exposição "Cosmos: Três Olhares Sobre a Rússia"

Fiquei feliz em achar o comentário do meu querido Diógenes Moura (Curador da Pinacoteca de São Paulo) na internet. O texto abaixo foi escrito em uma parede na exposição que tive a honra de ver quando estive em São Paulo.
VI
(Cem gramas de vodka e o amor)

Andrei Barinov Gurgel é filho de mãe russa e pai brasileiro. Seu pai, inclusive, já foi prefeito de Caicó, uma cidade no interior do Rio Grande do Norte. Por isso a intimidade com o português. Tão íntimo que até foi capaz de nos tratar carinhosamente por “véio”. Sua família até hoje vive em Caicó. Ele também já viveu lá. Voltou para estudar Medicina. Em Moscou a Universidade é grátis. Depois de formado, vai se mandar. Andrei foi um dos nossos guias. Foi ele também que nos levou para conhecer a casa dos seus avós. Pegamos um bonde, eu, Ricardo Barcellos e Luiz Gustavo Dias que nos acompanhou no projeto captando imagens para seu filme, A Marcha. O bairro chamava-se Izmailovo, ficava a cerca de 40 minutos do Hotel. O trajeto foi, de certa forma, um encontro com o passado. O bonde parecia uma grande sala de estar. Mesmo que aquelas pessoas não se conhecessem, elas falavam, umas com as outras, sobre suas histórias. A maioria tinha mais de 60 anos. Uma senhora, sorrindo muito, disse que preferia Moscou de 15 anos atrás, “quando as pessoas eram mais amorosas”. Disse, também, que antigamente “as mulheres se vestiam todas diferentes umas das outras, porque faziam suas próprias roupas” e que quando elas voltavam da Europa, com seus anéis de ouro, eram consideradas importantes: “Hoje não é mais assim. As mulheres estão todas iguais”. Também sorrindo, um homem, cerca de 80 anos, contou que era vigia do laboratório onde estava “guardada” a primeira bomba atômica. Ficou na ativa durante 45 anos. Agora estava aposentado, “mas nunca matei ninguém por encomenda”.

Depois do percurso no bonde caminhamos entre pequenos pátios até chegarmos ao prédio com cinco andares que possivelmente será demolido pelo governo de Moscou para que outro, muito mais alto, seja erguido. Aliás, Moscou parece uma cidade em construção. A impressão que temos é a de que vai surgir uma cidade dentro da cidade que já existe. O Coronel do Exército Vermelho Vassili Ivaninoviech Barinov, 85 anos, e sua esposa, a médica Maria Vassilievna Barinov, 82 anos, nos recebeu ao lado de Pushok (peninha), o gato. Ele nos disse que dentro de casa não se usa chapéu. Aquele encontro seria, para mim, um dos momentos mais comoventes de toda a viagem. Primeiro o casal, que é casado há 56 anos, posou na frente do tapete que cobria grande parte da parede da sala. Ao lado, sobre uma peça de madeira escura, retratos da família. Os russos têm uma relação muito profunda com os seus: as fotografias de família sempre então emolduradas nas estantes, nos móveis, em cima do piano. Imagino que seja uma forma que encontraram para não se perderem entre si, muito menos dentro da sua própria memória. Depois de algum tempo, Barcellos fez um retrato de Vassili Ivaninoviech fardado, coberto por medalhas e orgulho. Ele havia defendido Leningrado, hoje S. Petersburgo, durante a Segunda Guerra Mundial. Entre uma palavra e outra nos disse que precisou “se defender” ou perdia a própria vida. Numa guerra sabemos o que significa “se defender”. Para livrar-se do frio bebia 100 gramas de vodka por dia.

Quando Alexander Púchkin escreveu A Filha do Capitão foi considerado, ele e sua prosa, um grande poeta. A narrativa psicológica que nos envolvia dentro daquela casa, na periferia de Moscou, sugeria uma “aproximação” que me fez perceber, silenciosamente, como a poesia é definitiva para a história da Rússia e como esteve presente, como uma “luz flutuante”, em seus piores momentos. Havia uma “guerra” entre nós, ali, naquela sala, um sobrevivente, suas medalhas, a porta aberta para desconhecidos, a mesa posta. Era uma situação profundamente literária.

VII
(Estejam como em casa)

Maria Vassilievna nos avisou que era chegado o momento de passarmos para a cozinha. Sobre a mesa, talheres de prata, taças de cristal, os pratos que haviam sido especialmente estampados para as bodas de ouro do casal, suco de pão preto, caviar vermelho, vodka, os pepinos, as batatas. Elas, as katoskas. Então voltemos para a primeira imagem vista do avião: a grande maquete. Aquelas não seriam as vilas que formaram Moscou, mas, sim, as datchas, as casas de campo. Maria contou que toda família russa ou tinha uma dactha ou tinha vontade de ter e que as batatas sobre a mesa haviam sido plantadas e colhidas por eles: “Ninguém sabe o que é prazer se não comer a batata russa”. Primeiro Vassili Ivaninoviech serviu a vodka. Depois falou que era um prazer para eles a nossa presença (“Estejam como em casa”) e deu início ao ritual: o pequeno cálice com vodka de um só gole, depois um pedido e uma mordida no pepino. Tudo repetido cinco vezes. Cinco palavras, cinco goles, cinco pedidos, cinco mordidas. Há uma fotografia em que Barcellos conta essa história. Há uma lembrança dentro de mim que transformou aquele sábado numa prosa puchtiniana.

(Na volta para o hotel, uma senhora, a partir do nada começou a gritar dentro do metrô alguma coisa que não conseguíamos entender. Pensei em tudo: fome, saudade, medo, uma bomba, um atentado. Não era. Sem gestos, ela protestava contra um casal que se beijava à sua frente. Dizia que aqueles afetos deveriam ser trocados entre as quatro paredes das suas casas (a deles).)

VIII
(A liberdade quando se deseja)

Há algo assim, perdido no tempo, em Moscou. O que foi o passado, o que ele significa para os mais velhos e o que é o presente onde a juventude tenta se encontrar e se olha no espelho. Vê refletido em seu rosto um tempo que poderá ser ainda mais perverso, quando pronunciamos a palavra que o mundo contemporâneo inventou para amenizar muito mais os seus defeitos que as suas compensações: globalização. Moscou se esparrama também diante desse drama. Quem vencerá? Maria diz que é “rica e feliz porque tem seus netos e que o futuro tem que ser cada vez melhor.” Vassili diz que “apesar de tudo, somos russos de verdade e que para conhecer a verdadeira natureza russa tem que deixá-los com raiva: nenhum país conseguiu deter Hitler, só a Rússia.”

Texto por Diógenes Moura

Fonte Blog de Fernando E. Aznar

Algumas fotos da exposição podem ser vistas aqui!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A morte pede carona

'53.10
Essa notícia deixara os nossos fãs da Toyouta tristes. O jornal suéco Teknikens Värld, durante testes de pista, revelou que o pickup grande da marca sofre da falta de estabilidade nas curvas, ou seja, pode capotar com facilidade na grande velocidade ( no vídeo o carro quase capotou as 57 km/h). Os jornalistas que testavam o carro revelaram que Hilux representa "....o perigo mortal para a vida".
A Hilux foi testada com os outros cinco veículos deste porte. Pena que eu não consegui descubrir quais são as outras. Mas fica recado, quem quizer comprar uma Hilux, fique de olho, quem já comprou, então ande com menos de 60 km/h.

UPD: O link para o vídeo do teste é este: http://www.teknikensvarld.se/tvtv/071031-toyota-hilux/ quem entende suéco, é melhor ainda.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Crise do Parlamentarismo

O tsunami de escândalos continua varrendo o Congresso Nacional. Todos nos reparamos que ao passar dos anos não diminui o número das denúncias, mas aumenta o número dos escândalos esquecidos. Já estamos esquecendo até o “Mensalão”, quanto mais, os escândalos mais velhos.
O poder legislativo, e não somente no Brasil, parece fadado a ser o centro da corrupção e outras falcatruas no Estado. Parlamentos são órgãos colegiais, compostos por deputados, senadores e outros delegados, eleitos muitas vezes pelos esquemas confusos que muitas vezes aproveitados de todo tipo de trambiqueiro e fraudador. O próprio meio de legislar, é um processo solene e demorado e favorece todo tipo de “jeitinho”. A Constituição e legislação orgânica raramente determinam o quanto tempo o projeto de lei deve passar para se tornar uma Lei vigente.

No meu tempo cursando o mestrado, nos tínhamos a disciplina chamada “Problemas atuais do Direito Constitucional” e entre estes problemas, existia o chamado “Crise do Parlamentarismo”.
O professor lecionador defendia a tese que nos paises que nos chamamos de “Democracias Ocidentais”, existe uma forte “crise de identidade” do Poder Legislativo. A própria idéia de parlamentarismo foi plenamente concebida no século XIX durante a Revolução Industrial, quando a burguesia procurava se desvincular-se do poder absoluto real. A vida não era tão agitada e os ritos solenes e demorados eram apropriados para construir uma base legal sólida e imparcial. Então no final do século XIX e início do século XX graças aos Parlamentos inglês, francês e alemão, foi construído o embrião de todo Direito ocidental atual. Durante a Guerra Fria, os parlamentos, graças a suas garantias evitaram a migração dos regimes ocidentais ora para o conservadorismo reacionário ora para revolução comunista.

Mas hoje, em pleno do século XXI, com a vida, em todos os seus aspectos, dinâmica, o parlamentarismo como instituição viu-se na condição de refém da sua solenidade e suas garantias. Hoje as funções típicas do Parlamento, que são legislar e fiscalizar são cada vez mais assumidas pelo Executivo e Judiciário. Executivo, cada vez mais, exerce seu poder atípico de legislar pelas normas semelhantes a da Medida Provisória brasileira e o Judiciário exercendo o seu poder moral do representante da Justiça, passa a exercer o papel de fiscalizador máximo.
Nestas condições, falava professor, pouco a pouco os parlamentos verão seu papel reduzido na vida do Estado. Será como o Conselho dos Anciãos onde o povo se reúne, discute e vai embora sem resultado algum. E eu concordo plenamente.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

Transporte em Natal - medidas para futuro

Pelas estatísticas do IBGE em 2020, a cidade abrigará quatro milhões de habitantes ou 50% por cento da população do Rio Grande do Norte. Isso é bom, pois possibilitará o crescimento populacional e econômico. Mas como todo crescimento traz inúmeros problemas não somente para prefeito e vereadores, mas também para os natalenses como um todo. A começar pelo motivo, que a imigração é composta na sua maioria pelas pessoas pobres, para não dizer miseráveis, de baixa escolaridade o que contribui para favelização da cidade e aumento dos índices da criminalidade, mendicância e etc.

Mas hoje eu não falarei disto. A minha preocupação Natal é uma das cidades brasileira que se encontra em franco crescimento. maior sempre foi o conforto e facilidade do transito local. Ora, já hoje, voltando ao trabalho eu enfrento o engarrafamento de 30-40 minutos, imagine como será daqui a quinze anos. Natal vai sofrer um colapso.

Temos muitas soluções. Primeira e mais importante é desmunicipalizar a Zona Norte, ou seja, Zona Norte deverá se tornar uma cidade a parte. E será uma das maiores do estado. Assim, no meu ver, reduzir-se-ia, o número das pessoas trafegando para o trabalho e de volta pegando Bernardo Vieira e ponte de Igapó.

Quanto às pontes, eu discordo do meu pai que não perde a chance de criticar o governo por causa da construção da ponte da Redinha. É uma obra eleitoreira? Pode ser. É uma obra que esta falindo cofres públicos. Também não discordo. Mas acredito que a ponte trará grandes benefícios à cidade e sua infra-estrutura. A Prefeitura de Natal devia se preocupar também com ampliação da ponte de Igapó. Mas o uso das pontes só se for mediante pedágio. O pedágio deve ser obrigatório para todos os carros, excluindo veículos da polícia, bombeiros e ambulância. Carros oficiais só passariam pela ponte sem pagamento de pedágio, só em caso de emergência. Governador(a) que passar pela ponte? Pedágio nele(a). Carros do governo (sem distinção), das pessoas jurídicas e etc. poderiam solicitar no STTU um passe semestral ou anual, para não enfrentar eventuais filas. Um passe mensal ou trimensal, também valeria para os carros e motos particulares. Cobrança do pedágio seria diferenciada. É lógico que as motos pagariam menos do que carros. Horário da passagem pelas pontes também valeria, dependendo da hora e do dia.

Transporte público. Começando pelo Bernardo Vieira, aos ônibus, transporte escolar e universitário, e dos outros municípios, nas grandes avenidas, do tipo Salgado Filho, Prudente de Morais, Rio Branco em toda sua extensão, devem ter sua própria faixa, os espertinhos que usarem a determinada faixa para tráfego, ultrapassagem e parada, serão multados sem dor. A faixa do transporte público deve ser livre, mesmo quando o resto da avenida seja engarrafado.

A situação do transporte público em Natal é precária. Os ônibus parecem com uma fornalha, abarrotados de gente. Andar de ônibus hoje é um misto de acrobacia e sobrevivência. Motoristas de transporte público, apresentam o mínimo respeito pelo Código de Transito Brasileiro, andando agressivamente, tirando os demais veículos das suas faixas. Fora isto, parece que não existe, pelo menos na minha visão de passageiro, o horário fixo para o trafego de transporte público, imprescindível para o bom funcionamento deste. Pode-se levar mais de uma hora de espera quando precisa chegar da Zona Norte ao centro da cidade.
Soluções são muitas e muito custosas. Hoje, através da licitação, uma empresa obtém uma rota, sendo que ao entender da empresa fica a intensidade da rotação dos ônibus, o horário do funcionamento e etc. Então isto causa muitos transtornos aos passageiros que não sabem não só o horário do transporte público, até que horas os ônibus fazem a sua circulação. Solução não é difícil, mas é trabalhosa. Em primeiro lugar, precisa licitar novas rotas. Em segundo lugar, definir horário de tráfego e intensidade de rotação. Por exemplo, nos lugares de maior concentração de gente, o intervalo entre os ônibus não deve ser maior que cinco pessoas. Nos lugares mais distantes, o intervalo pode ser de trinta minutos, desde que tenha um horário fixo, previamente fixado e disponível, pode ser até na Internet.

Quanto à questão material, os ônibus com cobradores são obsoletos por natureza. O exemplo da Curitiba em relação ônibus-passageiro é mais do que certo. O passageiro paga sua passagem antes de entrar no transporte, aguarda e entra utilizando não só uma porta, todas as duas. Mesma coisa para sair. Hoje existem ônibus muito mais viáveis, maiores, com três ou quatro portas. Fora isto, levando em conta o clima natalense, o transporte deve ser equipado com ar-condicionado e vidros escurecidos. Todos os ônibus devem ter um rádio, para comunicar com rapidez qualquer acontecimento, assim como uma falha mecânica, acidente, crime e etc.

Só assim garantiremos ao transporte público o conforto, rapidez e precisão necessária. Então muita gente vai deixar de fugir do transporte público, como diabo foge da cruz. E, pelo menos, nos dias de trabalho deixar seu carro ou moto na garagem. E é altamente recomendável a prefeitura municipal e ao Governo do Estado pensar em implantação do metro ou malha dos trens urbanos e intermunicipais.

Último ponto deste artigo é referente à restrição da circulação dos caminhões de grande porte na zona urbana. Por serem grandes, e terem dificuldade de manobra, muitas vezes criam engarrafamentos. Os caminhões que carregam combustíveis são altamente perigosos em caso de vazamento e incêndio. Então deve ter o horário certo quando esse tipo de veículo circula pela cidade. É geralmente de noite e madrugada, das 20:00 até 7:00 da manha. Os lojistas e donos dos postos de gasolina deviam se programar para receber estes caminhões de madrugada.

Finalizando, eu quero dizer que nada tenho contra transporte particular, carros ou motos, até porque eu ando em um. Mas nos devemos entender que Natal não é feita de borracha, e para evitar o colapso total do transporte no futuro e garantir a preservação da civilidade, nos devemos pensar em medidas que não são populares, mas que são de necessidade urgente. Afinal, o que é bom para um não necessariamente é bom para todos, mas o que é bom para todos é sempre bom para um. É a regra.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Direito Internacional Público - crise?

Na situação de hoje, a proliferação das armas nucleares é das maiores preocupações dos lideres mundiais. Assim que um país passa a dispor armas nucleares, aumenta o risco de uma catacombe atômica. Principalmente nos países como Índia e Paquistão que contam com regimes instáveis e onde ampla parcela da população é adepta do fanatismo religioso, incluindo os funcionários e agentes do governo. De acordo com cálculo da Jane´s (Instituto Americano de Segurança), no conflito armado ambos os países, eminentemente, utilizarão seus arsenais nucleares, que provocara morte instantânea de cerca de 200 milhões de pessoas, impacto ambiental irreversível e incalculável, e levará centenas milhões de pessoas a buscar refugio nos outros Estados, o que pode provocar uma onda migrações jamais vista. Ou seja, o cenário é apocalíptico. Devemos também lembrar de possibilidade de terrorismo nuclear, já que construção de uma bomba atômica não é mais segredo para ninguém. Então o Acordo, que tem quase 30 anos de existência, ficou muito obsoleto. Mas, as partes interessadas, pouco ou nada fazem para atualizar e de vez proibir proliferação das tecnologias que levam a criação deste tipo de armamento.

Segurança mundial é importante para rever o sistema do Direito Internacional, mas não é o único. Cada vez mais, os países desprezam os mecanismos da Organização das Nações Unidas, preferindo agir sozinhos. Em 2003, quando o Conselho da Segurança da ONU vetou a operação das forças armadas dos EUA e seus aliados, americanos resolveram agir por conta própria. Desde o primeiro momento deste conflito armado, todo sistema construído a partir de 1945. Mas hoje, quatro anos depois, Iraque ainda está em guerra, dilacerado por conflitos entre as facções étnicas e religiosas.

A crise do Direito Internacional é evidente em várias frentes, não só nestes que foram demonstrados. Estados que não ratificam seus acordos assinados, Estados que ratificam acordos, mas os não cumprem, a lista é extensa. Falta ao Direito Internacional Público, mecanismos de obrigação, ou seja, uma instância judicial que pode resolver os conflitos existentes. No Tribunal Internacional da ONU, hoje é julgado quem voluntariamente se submeter à jurisdição da corte. Se não, fica sem julgo. No caso do Direito Público, se toda nação que fizesse parte das Nações Unidas, fosse obrigatoriamente submetida a jurisdição da Corte, as nações teriam convivência muito mais harmônica.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Direito Internacional moderno - crise?

No final da Guerra Fria e início do processo acelerado da globalização, muitos acadêmicos pensavam que o valor do Direito Internacional, seja ele de origem pública ou privada, será mais relevante nas relações intergovernamentais e interpessoais (incluindo aí o Direito Internacional Privado). Eles estavam certos, mas só em parte. Com ampliação dos blocos econômicos e desenvolvimento dos laços de cooperação, o valor do Direito Internacional Privado, cresceu substancialmente no Direito Privado Nacional.

Mas tendo Direito Internacional Público como referência de excelência já é mais problemático principalmente após 11 de setembro de 2007. Nos anos setenta foi assinado e ratificado por muitos países o Acordo de Não-Proliferação das Armas Nucleares, incluindo aí o Brasil. Notem, que o acordo proíbe o uso da energia nuclear para fins militares e o país que ratificar o acordo, compromete-se a cancelar todos programas nucleares militares existentes, mas pode desenvolver dadas tecnologias para fins pacíficos. Nos anos 70, antes da entrada em vigor deste tratado, quatro países detinham as armas nucleares: EUA, URSS, Grã-Bretanha, França. China tinha sua bomba atômica, mas não tinha meios de lançamento. Programas em desenvolvimento já existiam no Israel e África do Sul. No Brasil, Argentina, os governos militares já cogitavam seriamente o desenvolvimento dos armamentos em questão. Com entrada do tratado em vigor, África do Sul abdicou dos seus armamentos, Brasil e argentinos aceitaram, a muito contra-gosto, ser zona livre da armas nucleares. No caso de Israel, todo mundo sabe que o país tem bomba atômica desde a década de 70, mas o governo israelense, se recusa até hoje aceitar o fato da sua existência. China entrou no clube atômico mais tarde, sob promessa de não vender suas tecnologias.

Durante vinte anos, o acordo de Não-Proliferação foi mais ou menos cumprido. Para América Latina, esta decisão foi ainda mais benéfica, pois o continente se livrou de ser uma fonte de tensão desnecessária. Mas o problema foi a China que não cumpriu sua parte de acordo e possibilitou que as armas nucleares começaram a ser desenvolvidas na Coréia do Norte, Iraque de Saddam Hussein e Paquistão. Todos estas tentativas resultaram numa crise séria, principalmente o caso de Coréia do Norte e Paquistão.
Continua....

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O valor da tolerância

A democracia é, antes de tudo, um estado de tolerância. Ante a liberdade, ante os direitos, para construir uma sociedade democrática é preciso aprender a ouvir e aprender a respeitar, seja quem for, amigos ou inimigos.

Ontem, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad se apresentou na respeitada Universidade de Columbia. Todos nos conhecemos que os ambientes acadêmicos são silenciosos, quando alguém se apresenta, é dado maior espaço possível, não importando o assunto e seu respaldo polêmico, e as discussões costumam acontecer no maior respeito possível. Mas antes de apresentar o presidente iraniano aos estudantes, o reitor da dita universidade Lee Boilinger esnobou Ahmadinejad falando que “....exibe todos sinais de cruel ditador” e que suas afirmações “são ridículas”. Não é uma boa maneira se apresentar. Durante o discurso o presidente foi interrompido por vaias e risos.

É certo que Mahmoud Ahmadinejad, não é simpático aos americanos. Também é correto afirmar que o regime iraniano traz instabilidade à paz no Oriente Médio como no mundo em geral. Mas o foco não é aí. Pode se ter certeza que os americanos, principalmente os intelectuais se declararam ontem intolerantes, comparando se assim com nazistas e comunistas, que também tinham suas problemas com a compreensão.

O problema do mundo ocidental, que é quase imperceptível aqui, que a democracia que prevê a igualdade das liberdades, opiniões e razões se transformou numa ideologia, como qualquer outra. A sociedade enaltece a democracia, perde a sua visão crítica e se torna fanático. Acredita que o regime democrático é supra-sumo da civilização humana, que os valores democráticos (sem saber quais são estes valores, por sinal, por sinal). Seria até bom perguntar se um bilhão de muçulmanos ou chineses são todos antidemocratas roxos que dormem e vêem o mundo “livre” ser destruído. Suponho que não é bem assim.

A ignorância e intolerância e geralmente terminam em tragédia. Já foi assim com Alemanha, já foi com URSS. Então, para os nossos democratas, um conselho: vamos ouvir o que as pessoas que não compartilham a nossa visão do mundo, têm a nos dizer. Ajuda.